21 de julho de 2006
20 de julho de 2006
personagens
Nestas férias encontrei por acaso, numa gaveta a abarrotar de livros, um romance policial do Raymond Chandler. Ora, nem por acaso, tinha lido sobre ele num livro sobre livros, o Bibliotopia, que acho que até foi recomendado pelo Pacheco. Assim sem esperar muito, saco do livro e ponho-o na mochila para ter com que me entreter nas acções de formação, enquanto ouço uma abébia qualquer falar sobre "aspirinas" e como o problema dos detectores de incêndio é não se poderem esconder.
Avante; o personagem principal do livro é o detective particular Marlowe, e bastou meia dúzia de páginas para perceber porque é que gosto tanto de gajos como ele, do Scarface e do Mourinho,como personagens de filme. São heróis negros (de carácter...) sem escrúpulos e incorrectos; mais do que tudo, não param frente a nada para alcançar o que querem. São os gajos que dizem aquilo que nós gostaríamos de dizer e que se estão a cagar para o que os outros pensam deles. Tambem nao se dao muito bem com o ingles, mas isso nao os preocupa. Temidos pelos homens e desejados pelas mulheres. E isso deixa-me a mim, mero mortal, cheio de tesão. Nao na vida real - um acabou baleado, o outro sozinho depois de dormir com centenas de gajas, e o ultimo ainda se esta' para ver, e eu quero uma velhice descansada a apanhar sol na praia. Mas estes sao os meus herois preferidos.
posto pelo Alexandre às 02:07 1 comentários
pequenas diferenças
• o imposto não é muito menor em NYC, apesar de não ter a carga estúpida da Segurança Social (que há, mas é menor e paga pelo patrão)(e como se ganha muito mais, também não chateia tanto - o que é frustrante em Portugal é que das migalhinhas que nos dão ao fim do mês ainda temos que dar metade ao Estado para esbanjar);
• ouve-se mais reggaeton, o patamar mais fundo da evolução musical, em Portugal, do que neste país em que saem latinos debaixo das pedras. Pelo menos nas discotecas normais;
• há muito mais bigodes em Portugal, já nem os ditos latinos andam com a vassoura no beiço;
• os gunas são uma espécie típica do Porto, todos com feições brutas e cara de mau a tentar imitar o Cristiano Ronaldo, o brinquinho e o cabelinho e as teshartes cor-de-rosa agarradas ao corpo. Por aqui no hood, são mais blacks com uma calça de licra na cabeça e o boné a dizer NY com a pala toda direita, e a roupa dois tamanhos acima nos corpos já agigantados, como se fossem miúdos desproporcionados.
• o atendimento nas repartições públicas é bastante melhor em Portugal; os funcionários são muito mais simpáticos e parecem perceber mais daquilo que fazem;
• a qualidade de vida e das pessoas comuns é melhor em Portugal. Mas porque não há emprego para gente qualificada, logo os empregos mais reles ainda vão tendo pessoas mais ou menos inteligentes e que vêm de famílias normais. Por aqui, os empregos chungas como atender o público na cafetaria são em 99% dos casos ocupados por cretinos antipáticos; lá está, porque aqui quem tem dois dedos de testa safa-se melhor...
posto pelo Alexandre às 01:46 2 comentários
18 de julho de 2006
e nao se usa
ar condicionado em Portugal. Isto e', nao nas quantidades industriais de ca'. O metro do Porto ja' foi quente, mas o melhor foram as acçoes de formaçao, que ventilaçao so' mesmo com as janelas todas abertas e de vez em quando uma aragenzita passava. Vantagem, as meninas parcamente vestidas a escorrer suor, mas iamos la' morrendo todos de calor. E com frases destas, nao so' de calor, morriamos estupidos - "Ha' uma necessidade de organizar os mercados". La' a ouvi no meio de uns grunhidos monocordicos falados para dentro, de um dos oradores.
Oh, as acçoes de formaçao da Ordem, la' me tiraram as ferias... mas daqui a meio ano ja' la' estou dentro; pode ser que seja o primeiro passo para acabar.
posto pelo Alexandre às 23:20 2 comentários
voltei voltei
e como nao tinha la' internet, nao houve blog que se actualizasse.
Primeira noticia: neste ano da graça do Senhor de 2006, dia 10 de Julho, aproveitei para practicar um acto patriotico. Cessei a actividade em Portugal como trabalhador independente, e assim deixarei de pagar impostos e segurança social e alimentar a cambada de burros que manda no pais.
posto pelo Alexandre às 23:16 1 comentários
24 de junho de 2006
festival de Verao


No Bryant Park, filmes 'a noite. Birds, do Hitchcock, e no ultimo andar do Hotel com o mesmo nome (o do parque), um sortudo qualquer espreita a multidao, no seu quarto de seis janelas e paredes de tijolo escuro rematadas com bolas douradas, um delirio Art Deco. Em baixo, o actor destila estilo com os seus fatos justos e as gravatas fininhas, e a actriz conduz um barco a motor de saltos altos. O filme e' demais.
posto pelo Alexandre às 00:05 0 comentários
23 de junho de 2006
fast track
é o nome que aqui se dá a um "método" de construir: os trolhas começam a obra, e entretanto faz-se o projecto. Chamado para acudir a um fogo desses, tenho que trabalhar que nem um cavalo para preparar folhas que, de qualquer maneira, estão sempre desactualizadas, e esperar que nada de muito irreversível aconteça em obra antes de acabarmos o desenho. O desafio é brutal, até porque já foram despedidos dois à conta dele. Ao mesmo tempo é muito estimulante, porque obriga a sintetizar TUDO, e a tomar decisões muito rapidamente. Tomar decisões é fundamental; o fast-track não é para ter paninhos quentes nem inseguranças, mas para levar tudo à frente (e eu gosto disso, ando farto de enconanços).
Em baixo, uma foto do meu bairro medieval.
posto pelo Alexandre às 01:50 0 comentários
22 de junho de 2006
15 de junho de 2006
14 de junho de 2006
13 de junho de 2006
O sovaco da América
Algumas cidades são chamadas de sovaco. New Jersey é uma delas, e ali fica Newark, a little Portugal cá da terra.
Lá fomos ver a bola, no domingo, dia da nação. A minha camisola ainda cheira a sardinha assada, a música pimba ainda ressoa nos meus ouvidos. Aquilo é Portugal, sim, mas versão América: a música mais alta, dos dois lados da rua, altifalantes a gritar promoções de sangrias e margaritas, os jovens zés vestidos de calças largas e boné dos ianques virado para trás, os bófias gigantescos e o mais deconcertante, uma jovem de t-shirt da seleção e mamas enormemente siliconadas, estilo híbrido Marés Vivas / cabeleireira do shopping. Mas as raízes da portugalidade lá estão, de qualquer maneira: bigodes por todo o lado, bebés com as faldras malcheirosas no meio da rua, o povo todo enfiado no restaurante Sal e Mar (palavras para quê?) a ver o jogo, sem deixar espaço para mais ninguém, o empregado que dizia "sai da frente que está a chover" para passar, as Nossas Senhoras a abençoar os lares nas paredes das casas (em azulejo, sobre a madeira) e toda a gente a comer febra, frango de churrasco e sardinha assada no parque de estacionamento (que era grande, claro).
As sardinhas estavam boas, e os pastéis de nata no fim também; o jogo não foi grande coisa, o infelizmente típico desperdiçar de golos e poupar os coitadinhos dos jogadores. Se voltar, vai ser exclusivamente para comer, e é aproveitar que já são tantos brasileiros quanto portugas e daqui a nada vai tudo para longe e acaba.
posto pelo Alexandre às 03:03 1 comentários
10 de junho de 2006
episódios da História de NY
[no diner, ao almoço, em frente à sopa, batatas fritas e sande de atum com queijo derretido]
- Tenho que dizer que Nova Iorque há uns anos atrás era insuportável, com o problema dos sem-abrigo. Eram tantos, tantos, que era meeeesmo decadente. Depois veio o Giuliani e zááás, limpou tudo [faz um gesto de varrer com o braço].
- [curioso] Sim, tinha um ideia, até nos falaram disso na Faculdade; mas como é que ele fez mesmo?
- Bem, pô-los para fora em autocarros com bilhetes de ida!!! Tás a ver, deportou-os todos e as outras comunidades que se aguentassem.
- Comunidades?!?! Sempre pensei que os tinham largado no meio do mato!
- DUH! Mas aí também mora gente!!!! Bem, eu não sou naaaada apologista de pegar nas pessoas e descarregá-las noutro sítio, mas [suspiro de alívio] isto estava mesmo mau, mau, mau. Era mesmo nojento [gargalhada].
posto pelo Alexandre às 01:54 0 comentários
e os imigrantes
Porque é que, de todos os países, não os querem aqui? Nesta terra, somos todos imigrantes (como por princípio em todas as outras, mas aqui nota-se mais). Corro o risco de não ter visto para o próximo ano. Porque já há suficientes empregos para os de fora, e alguns imbecis dizem: US JOBS FOR US CITIZENS. Ora estes atrasados mentais ainda não perceberam que se o país deles chegou onde chegou foi porque acolheu gente de todo o mundo, e deu-lhes a liberdade de começar, como uma folha em branco. Os tempos da folha em branco já vão longe, mas este país e esta cidade ainda são dos sítios mais dinâmicos do Mundo, e para onde toda a gente vai à procura de uma vida melhor, e onde o conservadorismo da Europa social-hipócrita-decadente é um fantasma remoto. Pronto, por aqui conservadores não faltam. Mas a vida de todos os dias, ainda que seja tudo feito industrialmente e sem grande gosto, sabe a aventura, a coisa nova, a fresco, e falam-se várias línguas, o empregado mexicano da Deli tem a cara toda furada e cabelo comprido, o homem das limpezas parece saído de um filme do Spike Lee (shiiiiiit!), as festas têm mamas à mostra como dizia abaixo alguém e o pôr-do-Sol entra-me pelo quarto adentro.
A vida em Portugal é muito mais confortável, mas podia ter um bocado disto que não lhe fazia mal nenhum. A não ser que continuem a fechar as fronteiras: nesse caso, vão para a puta que os pariu.
posto pelo Alexandre às 01:38 2 comentários
9 de junho de 2006
5 de junho de 2006
joie de vivre
e' coisa que nao ha' muito em NY. Toda a gente e' razoavelmente infeliz, e por isso e' que tanta coisa acontece - anda tudo febrilmente 'a procura de melhorar a propria vida. Na Europa que conheço, onde o sol brilha, as pessoas sao bonitas e as cidades antigas, nao e' preciso grandes esforços para estar bem, por isso funciona tudo mal e ninguem se preocupa muito em mudar. E por isso e' que imigramos, para ver se nao morremos enterrados no lodo, e assim temos que nos aguentar 'a jarda nesta terra suja, de gajas feias e sem comida de jeito.
Pronto, as gajas ate' sao boas e os hamburguers tambem, mas nao me consigo imaginar a viver aqui ate' ao fim dos meus dias. Detesto almoçar em frente ao computador, como faz toda a gente por aqui.
feeling grumpy...
posto pelo Alexandre às 20:12 6 comentários
3 de junho de 2006
finalmente
regresso de uma longa abstinencia, provocada em grande parte por um director de projecto que não me larga a breguilha (em sentido figurado! que por aqui a percentagem de homens é fifty-fifty para um lado e para o outro). Últimas novidades:
• o jantar de bloggers acabou por ser mais uma reunião de cientistas e arquitectos. Foi uma agradável surpresa, porque estava à espera dos típicos zés portugas com as camisas aos quadrados tipo secção de atoalhados (como diz a mana), mas o pessoal que está por aqui é fixe e até queria ir ao rififi para uns copos! Pena que uma certa menina que está em Londres não tenha trazido ID. Ai, ai, ai....
• lá ganhei um bónus pelo meu excelente desempenho, e graças aos meus adoráveis patrões vou mesmo ficar mais uns anos por estas terras.
• o meu irmão foi-se embora e chorou-se baba e ranho, com corações partidos de meninas e meninos. Eu por mim já o vejo daqui a um mês, quando o Santa Bárbara for escrito outra vez do Porto (mas só por dez dias, durante as acções de formação da Ordem, a que faltarei se puder).
• O Motherfucker foi grande festança, mas pelo que dizem as vozes mais experientes melhor no ano passado. E além disso, foram um bocado nojentos com o dress code, o que levou alguns dos retardatários a ficar na rua, e o clube não encheu completamente. Queixinhas à parte, para mim esta é a festa de NY, com transsexuais, paneleirões e putéfias aos saltos por todo o lado, e ainda passaram Miss Kitten e Scissor Sisters e Guns n Roses, além de que veio a CASA em peso! aqui as fotos.
posto pelo Alexandre às 21:04 3 comentários
2 de junho de 2006
24 de maio de 2006
entao a janta
e' assim:
'As sete no La Palpa, Lower East Side. Quem chegar primeiro começa com os aperitivos, e espera (dentro dos limites do razoavel...) pelos outros. Presentes:
eu
o Bruno
a Susana
a Elisabete
a Ines
a Mia
E a Donna Maria, se tivesse mail no blog, tambem teria sido convidada... ainda vai a tempo...
e mais alguns, avulsos. Fotos serao tiradas, e postadas. Agora bom apetite!
(ja' agora, parece que e' so' mulheres a escrever em NY)
posto pelo Alexandre às 17:34 5 comentários
23 de maio de 2006
escolas
A Escola de Viseu era a unica escola em Portugal onde se aprendia arquitectura tradicional. Se forem ao link, os desenhos sao horriveis, mas os alunos tiravam todos notas altas e eram elogiados de alto a baixo nas entregas finais. Tudo pontos negativos, mas, regardless, era o unico sitio diferente no marasmo academico arquitectonico portugues. Agora, tranformaram-na nisto, mais uma faculdade de arquitectura, asseptica e com viagens a Barcelona para ver o Richard Meier.
Bah.
Isto foi, conta-se, porque a Universidade Catolica nao precisava da acreditaçao da Ordem para o curso. Era a unica, porque a Lei assim o permitia. A lei foi revogada - e bem - e a Ordem achou - mal - que o curso nao tinha jeito. Se calhar nao tinha, mas o problema era que os alunos so aprendiam a desenhar curvinhas e molduras nas folhas de projecto (na verdade, parecia uma imitaçao pobrezinha da Notre Dame americana). O problema nao era ensinar arquitectura tradicional, e agora a Catolica de Viseu nao e' mais que uma privada de encher chouriços para quem nao entra na gloriosa FAUP(que porcaria de site, ja' agora).
Nao quiseram investir na arquitectura popular? Paciencia, mais fica para mim, quando voltar...
posto pelo Alexandre às 23:14 3 comentários
18 de maio de 2006
ultimas manias
musica da bulgaria
musica country
scissor sisters
roupas da reiss
comida mexicana com molho de chocolate
sashimi
como trabalhar com computadores e nao para eles (links aceitam-se)
posto pelo Alexandre às 17:42 2 comentários
13 de maio de 2006
BLOGGERS PORTUGUESES EM NY - A JANTARADA
Bámos lá!!!!!
Abraços e beijos,
o gajo dos frontoes.
posto pelo Alexandre às 00:56 5 comentários
boredom
'a espera de plotagens, sem nada de muito criativo para fazer. Um dia espero ter alguem que faça por mim o que eu estou agora a fazer para os outros - fotocopias, faxes, encomendas, etc. Uma seca e ainda ha' tanto para desenhar...
As fotos em baixo, ja' agora, representam o sistema proporcional medieval, em que tudo e' dividido em dois (claro que nao e' bem assim, mas as excepçoes fazem a regra). Em cima, do topo do Rockefeller Center, que deve ser a melhor vista de cima de Nova Iorque (se vierem ca', esqueçam subir ao Empire State). Em baixo, no Massachussets, onde fomos passar a Pascoa com uma "familia tipica", sem cabrito mas com oraçao e musse de chocolate. Lembrou-me as Pascoas anteriores:
ha' 4 anos, na aldeia da Mizarela; cabrito assado
ha' 3 anos, na Sicilia; crepes de ameijoa e peixe no forno
ha' 2 anos, em Ilhavo; cabrito assado
ha' um ano, em Roma; pasta com chocos e cordeiro (depois, nao na pasta)
posto pelo Alexandre às 00:40 1 comentários
11 de maio de 2006
5 de maio de 2006
chegam-me noticias

do Porto, que e' uma das minhas cidades preferidas. Continua bairrista e provinciana, infelizmente - o comercio tem que fechar a horas certas, gunas matam transsexual. Tem tudo a ver - a miseria que nos e' endemica atiça a violencia e a crueldade. E a sociedade continua fechada, corporativista, para "proteger" os pequenos, quando e' exactamente isso que os leva 'a miseria, e de forma muito mais dolorosa do que se fossem obrigados a mexer o cu e competir. Paciencia, pelo menos por enquanto eu nao tenho que os aturar (fraca consolaçao).
posto pelo Alexandre às 15:33 4 comentários
4 de maio de 2006
o vale feliz
Celebridades escabrosas, Chelsea Boys, electro-techno, goticos e goticas, divas dos anos 80 requentadas, artistas tipo dirty martinis e ditas von teeses. Tudo ao monte e fe' em Deus. O capitalismo gerou tanto dinheiro em excesso que da' para alimentar toda esta gente que nao faz nada a nao ser ser viver glamorosamente ('a noite e com estas luzes, pelo menos parece). E' espectacular, mas nao todas as noites (sim, porque ha' alguns europeus pobres que tem que ir trabalhar no dia seguinte).
posto pelo Alexandre às 18:37 0 comentários
2 de maio de 2006
ainda por ca' ando
e hei-de continuar, mas esta semana, com visitas e eleiçoes na casa, o tempo nao deu para mais. E ainda sem maquina...
posto pelo Alexandre às 00:09 2 comentários
22 de abril de 2006
literary review
(do escritorio, com o trabalhinho acabado)
livros que tenho lido debaixo da terra:
Hard-Boiled Wonderland and the End of the World, do Haruki Murakami: arranjei este livro emprestado da namorada, e durante uns meses tornou-se uma obsessao. E' mais matematico que poetico (com historias dentro de historias e coisas do genero), tem uma cena que me ia fazendo desmaiar no metro e 'as vezes parecia-me um bocadito a puxar para o clichetico filosofia-de-vida-barata (ver abaixo), mas foi uma boa experiencia.
Uma terrivel experiencia foi Veronika decide Morrer, do Paulo Coelho. YYEEEAAAKKHHHH.... Tambem por culpa da menina, que teve uma discussao comigo depois de eu lhe dizer que nao gostava sem ter experimentado. Pimba, passado um mes recebia o livro como presente. Mas ainda bem - percebi que era ainda pior do que imaginava, e porque. Nao so' esta' impregnado de cliches ate' 'a nausea, mas trata o leitor como um atrasado mental e chega a ser moralmente relativista, i.e., a ideia e' que os loucos nao sao loucos, mas sim o mundo 'a volta deles, por isso façamos o que nos da' na telha que esta' tudo bem. E ate' tem uma cena de sexo, completamente idiota e sem jeito nenhum; suspeito que esta' la' so' para apelar aos instintos primitivos de quem lê.
Felizmente, tive o Tom Wolfe e I am Charlotte Simmons como companhia durante mais uns tempos. Algures por aqui escrevi que estava a delirar com a coisa; mas passados tres quartos do livro o homem endoidece - a historia transforma-se numa amalgama maniaco-depressiva, o fim e' alinhavado a despachar e e' tudo tao negro, tao malefico, que nao se chega a lado nenhum. Ja' devia estar habituado com as historias cinicas do Wolfe, mas esta foi por demais. De qualquer maneira, antes do fim e' mesmo bom e muito bem escrito.
Farto de romances merdosos e negativistas, virei-me para a economia e estou a ler um classico: The Road to Serfdom, do Hayek. Nao tem cenas de sexo nem apela a sentimentos baixos e e' realmente um bocadito para o chato, mas dito isto e' uma base optima para compreender o liberalismo e a (boa falta de) organizaçao da sociedade capitalista (apesar de ter uma parte sobre os alemaes, que, se fosse hoje e nao no tempo da 2a Guerra, dava cadeia...). Muito interessante e perfeito no meio destes liberals americanos de Nova Iorque.
posto pelo Alexandre às 23:49 0 comentários
a vergar a mola,
Sabado. E depois nao se queixem que nao escrevo. Melhores dias virao...
posto pelo Alexandre às 17:46 2 comentários
18 de abril de 2006
o chicote
nao para de me fustigar as costas. Esta e' uma semana terrivel no trabalho, e ainda por cima a minha maquina avariou-se por isso nem vos posso mostrar o Massachussets, onde fomos passar a Pascoa com um familia de nativos. Melhores dias virao, alias daqui a pouco o regresso da Mana!
posto pelo Alexandre às 20:01 2 comentários
13 de abril de 2006
vísceras
de animais abandonadas, no passeio, em frente ao cabeleireiro altamente XPTO onde a minha dama me obrigou a ir fazer uma marcação (tenho impressão de que as tesouradas das amigas têm os dias contados). Afinal, estamos no Meatpacking District - onde o estilo ombreia com a carne, ainda que esta já não esteja à esquina como nos good old days em que o bairro era a imagem da decadência novaiorquina (e só havia carne, sem estilo). À boa maneira cá da terra, o salão estava overstaffed, quer dizer, seis moças ao balcão a sorrir para mim, enquanto três paneleiros, perdão, jovens com glamour, me perguntavam, um de cada vez, se estava bem e se precisava de ajuda (no fim esqueceram-se de me explicar o que é que me iam fazer). De qualquer maneira, a cavalo dado não se olha o dente, e como o corte é à borla ficou marcado para Agosto. Até lá tenho tempo de ir às amigas (com boas intenções, não vá a búlgara arranjar um tradutor de português) e de deixar a dica às bloggers luso-novaiorquinas que queiram entrar no estilo meatpacking sem gastar um tusto: experimentem.
posto pelo Alexandre às 05:34 0 comentários
paraíso
dos putos: o camião dos gelados. Outra lenda americana, agora que chegou o calor. Todos os dias passa na nossa zona, uma carroça a cair de podre chamada "Mr. Softy" com a mesma música tocada a partir da mesma cassete já frita de tanto rodar. Na Nova Iorque de hoje em dia, na zona mais glam da cidade, la-la-la-la-lalalala-la-lala-lala, nem os sinos gravados nas igrejas das aldeias em Portugal soam tão a cana rachada. E depois, quando ia tirar uma foto ao "Mr. Softy" para pôr aqui, o gajo (ao mesmo tempo que servia umas criancinhas inocentes) entrou em delírio: "No photos!! You don't even know me!!! Are you crazy?!?!?!". Mr. Softy o cuaralho...
posto pelo Alexandre às 05:24 1 comentários
12 de abril de 2006
comer
O meu restaurante preferido é a Taqueria California. Um tasco ao pé de casa, literalmente um corredor com uma casa de banho manhosa atrás, uma jukebox que só passa reggaeton e los tigres del norte, e a televisão com talk-shows portoriquenhos sempre a bombar. Nas paredes, uns posters igualmente duvidosos, um deles com um carro americano, um gajo musculoso agarrado a uma gaja e a frase "Orgullo Azteca". Mas a comida mexicana é do melhor, baratíssima (come-se por 5 dólares) e o serviço impecável - é como estar em casa. Toda a gente é do mais simpático possível, com um sorriso honesto e tudo feito nas calmas, como deve ser - a comida chega logo, não a conta. Isto descobri que é impagável em Nova Iorque.
Há uma semana, como prenda de anos de mim para mim, fui jantar a um dos sítios da moda (ou já foi?), a Lever House, nesse mesmo edifício icónico de Nova Iorque, o Seagram em alumínio e vidro verde (é mesmo em frente). Nada de mais diferente. É preciso reservar e dar o nome a uma fúfia com sotaque francês. Quando se chega, dão-nos o lugar mais ranhoso, ao lado da caixa registadora, fruto do nome plebeu. Mas pronto, o espaço é incrível - é como jantar numa nave espacial. Entretanto, tentamos chamar a waitress, mas ela ignora-nos. Logo chega um gajo engravatado, desculpe, posso ajudá-lo? e a seguir - queria alguma coisa e ela não fez? tipo: esta vaca está aqui está na rua, se o senhor quiser. Depois, a minha bela companhia vai à casa de banho e lá está o personagem número três, desta vez uma mulher. As casas de banho são uma fila de portas sem identidade, num corredor escuríssimo. A mulher, aqui, acompanha o cliente à porta e diz-lhe: por favor tranque a porta. Mas não faz mais nada, rigorosamente. Ou seja, quando a jovem ia entrar, estava um senhor a mijar lá dentro. Please lock the door, sir.
No fim (a comida era boa, diga-se) trouxeram-me a conta sem lhes ter pedido nada. Olhei para a gaja com ar de carneiro mal morto, e ela - Ai quer café? desculpe. Vaca, levou a conta de volta e tornou a trazer. Nem vale a pena dizer quanto, mas uns bons dias de trabalho ficaram ali enterrados naquela noite.
O que vale é que quando cheguei de Washington, no dia dos meus anos à noite, a Taqueria estava aberta.
posto pelo Alexandre às 05:49 2 comentários
8 de abril de 2006
aos bloggers portugueses no estrángeiro
(e ao Pacheco Pereira),
Se quiserem ter acentos e cedilhas nos teclados merdosos que abundam por esse mundo fora (digo isto porque o teclado português permite escrever em todas as línguas), vão a este link.
isto é, se tiverem Windows, que também não é grande sistema (e viva a Apple que vai juntar os dois sistemas num só computador).
Eu quando posto do trabalho já decorei que [alt]+135 dá cedilha, e [alt]+250 um ponto de divisão.
posto pelo Alexandre às 02:26 1 comentários
7 de abril de 2006
6 de abril de 2006
3 estereotipos novaiorquinos
[devido 'a estranha ausencia dos responsaveis, nao ha' nada para fazer a nao ser escrever - bom...]
o rapaz de chelsea: imberbe, saltitante e gay, bem vestido e cheiroso, parece incrivelmente jovem, todo maquilhado e botoxizado. Gosta de dançar em cima das mesas e lentamente despir as calças, enquanto faz olhinhos aos seus companheiros mais masculos (estes chamados de "homos", um termo muito mais viril). Curiosamente, desloca-se em manada. Os seus membros, no Verao, gostam de adoptar um vestuario muito apropriado 'a estaçao: quase nada.
a modelo anoretica: loura, cabelo liso, casaco de camurça, calças de ganga azul apertadissimas e botas pelo joelho. Nao ha' um dia em que nao veja uma ou duas aqui no meatpacking. Mas ao contrario dos de cima, anda sozinha porque obviamente detesta todas as outras iguais a ela. O extase deste especime foi uma noite destas numa festa italiana em que, de um casaquito ja' estreito, saiam duas estacas, tipo desenho de puto - um rectangulo com duas linhas. Eram as pernas, que aparentemente nao se uniam no rabo tamanha era a elegancia (ainda por cima a gaja devia medir uns dois metros de altura).
o gajo da casa de banho: imigrante, provavelmente ilegal, e que ganha a vida a viver nas casas de banho dos clubes e restaurantes (que aqui pela maça sao autenticas catacumbas de escuridao). Entra-se e la' esta ele, em pe', espera que o cliente mije (na mesma divisao), depois abre a torneira, espreme-lhe sabao liquido para as maos e da-lhe uma toalhita. Depois disso limpa religiosamente o lavatorio e recomeça. So ganha das gorjetas, mas aposto que faz mais numa noite que eu numa semana. Um dos ultimos que encontrei estava a ter esta conversa com um jovem financeiro:
- entao, esta' uma noite fixe
- ah, sim, porreira
- estas-te a divertir?
- hmm sai' agora do trabalho para fazer uma pausa, e daqui a duas ou tres horas volto para la'.
isto foi 'as duas da manha.
posto pelo Alexandre às 21:30 0 comentários
5 de abril de 2006
4 de abril de 2006
O Império
O gajo gostava de cúpulas. E de arcos, colunas, pedra, gregos e romanos. John Russel Pope, o "Arquitecto do Império", desenhou alguns dos edifícios designados como representadores da capital da América potente e democrática, grandiosa e tranquilamente clássica. O nível dos pormenores é impressionante: tudo, mas mesmo tudo, é desenhado. O mais miseravel bebedouro tem uma elevação artística quase divina, em bronze envolvido numa moldura de pedra (foi a viagem deste fim de semana).
É interessante como não se poupou dinheiro público no país em que tudo o que não se paga é em geral da pior qualidade. E os resultados são magníficos - fez-se pouco em quantidade (Washington é uma partícula na imensidão americana, e o peso dos políticos na vida comum é muito pouco) mas a qualidade de tudo é tal que se torna deprimente [saber que é quase impossível trabalhar assim hoje em dia]. O homem divertiu-se, está claro, mas também passou as passas do Algarve, porque teve o azar de terminar algumas das obras nos anos 30 e 40 (o memorial e a galeria, póstuma) e levar com a retórica do establishment em cima: a National Gallery foi etiquetada de "mumia" tudo porque, adivinhe-se, era clássica e não representava o espírito da América moderna (alem disso, o' heresia, estrutura metalica revestida a marmore.)
Pope acabou como queria, e construiu como queria (colunas maciças, paredes de 2,40m no templo). E hoje em dia, os outros, os museus da America moderna la estao, arcas congeladoras gigantes, sem piada nenhuma e com a unica atracçao de serem gratis. Porra, nao sou nenhum anti-modernista, mas a diferença de qualidade entre os edificios classicos do Pope e os cagalhoes modernos plantados no Mall e' tao grande, tao grande...
posto pelo Alexandre às 01:43 3 comentários
3 de abril de 2006
31 de março de 2006
30 de março de 2006
25 de março de 2006
a morte da arquitectura - 2

dedicado à Olívia:
Pois, continuando a conversa anterior, não é a secção áurea por si que faz com que certas relações espaciais nos pareçam mais ou menos interessantes. É sim o uso sistemático de uma escala de proporções coerente. Uma escala simples baseada na secção áurea pode ser:
quadrado • secção áurea • quadrado + secção áurea • quadrado + duas secções • etc. (qualquer número é a soma dos dois anteriores)
e usamos essa escala para compôr um edifício, em planta, cortes e alçados. Isto funciona para qualquer arquitectura que se faça - como se sabe, o Corbusier usava extensivamente a secção áurea com os tracées regulateurs, aplicados às fachadas como qualquer templo romano ou neoclássico (já vimos que no Renascimento se usava uma aproximação, e não uma verdadeira escala).
Outra noção muito interessante, ensinada pelo chefe (ele, nisto, é mesmo bom, apesar de aldrabar um bocado de vez em quando - mas como dizia o outro, com classe) é a da divisão de um segmento de recta:
• dualidade - o segmento é dividido em duas partes iguais
• diferenciação - o segmento é dividido em duas partes desiguais
• pontuação - o segmento é dividido em duas partes desiguais, em que uma é muito maior que a outra e deixa de valer por si, mas como um remate da primeira.
Exemplos disto abundam na Natureza e na arquitectura (a primeira deve muito à geometria, ou vice-versa). Uma flor é a pontuação do caule. O capitel é a pontuação da coluna, assim como o rodapé é a pontuação da parede. O umbigo diferencia o corpo humano segundo uma secção áurea. Um edifício composto por dois volumes pode ser diferenciado ou dualizado segundo uma hierarquia entre eles - um mais importante, os dois igualmente significativos, respectivamente.
E com a nossa escala, temos notas suficientes para dualizar, diferenciar e pontuar conforme aquilo que queremos transmitir com a nossa arquitectura (por isso é que ela é arte, e não obra do acaso). A arquitectura modernista, em geral, não tem pontuações - é abstracta, por isso recorre a relações entre volumes ou planos mas evita remates como rodapés ou platibandas.
(continua)
(já agora, apreciam-se comentários - isto é mais para aquilo que o Tiago queria que fosse para uma definição de arquitectura)
posto pelo Alexandre às 22:25 8 comentários
22 de março de 2006
Sobre os links aqui do lado
Já que se fazem anos, algumas notas. Normalmente, não escrevo sobre política porque estes moços aqui ao lado fazem-no muito melhor; e cada macaco no seu galho. Mas a maior parte deles não percebe nada de arquitectura, e os que percebem são furiosamente anti-liberais, ou parecem (ainda estou para ver um blog de arquitecto que não defenda a mama da revogação do 73/73). Aqui vai uma review dos blogs que linquei:
O Abrupto. O grafismo é discutível, a qualidade das imagens ranhosa, nem se percebe o que é que algumas estão lá a fazer e, pessoalmente, não tenho paciência para os poemas. Além disso, nos últimos tempos disse bem do Angelo de Sousa e arranjou aquela pepineira dos mandamentos. Mas tudo isso são pequenas objecções, porque o homem vê mais à frente quando resolve falar de política, concorde-se ou não, e para quem está fora e não pode ler o Público...
[quem me conhece pessoalmente sabe que posso estar a ser um bocadinho tendencioso]
O Espectro acabou agora, e ainda que fosse, por qualquer razão, inimigo do anterior, era outro incontornável... Só dizia mal, e muito bem. Por pouco tempo, às vezes chegava a ser hilariante e vou sentir a falta dele nas minhas raras manhãs sem patrão.
O Blasfémias era, há um ano atrás, o meu preferido. Neste momento raramente lá vou; às vezes parece-me demasiado provinciano, virado para si próprio, obcecado em provar que é de “referência” , bairrista, regionalista – tudo aspectos nada liberais... O grafismo é também muito mau, e os cartoons nem vale a pena comentar. Mas tem o João Miranda e o jcd, que geralmente salvam a festa.
O Desesperada Esperança é incrível... Será que existe mesmo alguém assim, ou é mais um Semiramis? De qualquer maneira o rapaz escreve muito bem e certeiro, e não se engasga (a não ser quando vê uma gaja, pelos vistos). E de vez em quando delicia-nos com uns posts hiper-auto-degradantes, e umas actrizes ensossas americanas.
Os Marretas são o meu blog preferido. No prisoners taken, e o humor é brejeiro sem deixar de ser inteligente, o que é raro. De vez em quando, um deles lembra-se de escrever qualquer coisa a sério. Como lá disse alguém, brilhantemente, “Tem razão e não tem piada. Logo devia estar no Abrupto”.
O Semiramis era bom, bom, e ninguem sabe o que se passou para acabar. A “menina” deve ter fomentado algumas paixões (incluindo em mim, que o diga a mana de Roma que teve que me ouvir). O único problema é que o dia de trabalho não dava para ler os posts enormes...
O Sócio Gerente de vez em quando lembra-se de acordar para a vida e mandar umas postas. É raivoso, mas aquela do “Sr Presidente, com todo o respeito vá-se foder” foi grande e valeu por tudo o que o homem há-se escrever, e por isso espero que não desista.
A Causa Liberal é daqueles que se vêm uma vez por mês, só para manter o link aceso. Não é que não seja bom, que é, apesar de não ter percebido muito bem se apoiava a Guerra do Iraque ou não, mas quem é que tem tempo para ler artigos quando é preciso numerar 200 janelas? Espero que no futuro.
O Insurgente é agora a minha referência, e deve ser o que mais visito à procura de coisas sérias. A maior parte dos articulistas é inteligente e escreve bem, junta vários bloguistas e tanto quanto me parece não gosta muito dos betinhos de direita. Além de que escreve pouco de cada vez, e nao testamentos, condiçao essencial para que eu tenha tempo de o ler.
A Rititi é bestial. E ainda por cima fala de Madrid, que é uma das cidades que gosto mais. É melodramática e incorrecta, inesquecível quando se põe a “educar o povão” sem paninhos quentes miserabilistas, que é o que abunda no nosso país.
A Rua da Judiaria é outro dos que tem que se ter tempo. Mas vale a pena, e o homem consegue falar dele próprio sem ser arrogante, uma qualidade que escasseia pela blogolandia. E quando fala dos outros, é sempre interessante.
A Arte da Fuga é a outra referência. Escrevem bem e gostam de boa música, são mais comedidos que o Insurgente em geral apesar de agora passarem por lá.
A Mão invisível, idem. E ainda por cima partilha a minha opinião sobre a Ordem e o 73/73. Só boa gente (e tem um bom grafismo).
Dos outros, ou se diz bem ou não se diz nada. Como a maior parte são meus amigos, ou me lincaram generosamente, prefiro estar calado porque aqui a minha opinião é muito mais parcial (partindo do princípio de que alguém está interessado nela de todo). O que não quer dizer que não goste das pessoas... (claro que se recomenda o FotoBen, por razões óbvias, e ainda faltam alguns, que tenho que actualizar). De resto, ao contrário da maior parte dos meus preferidos nem ligo aos direitistas emproados nem aos fricazóides de esquerda, porque tenho mais que fazer.
posto pelo Alexandre às 20:05 2 comentários
17 de março de 2006
a brincar a brincar

Aqui a santa já fez um ano em Portugal. Ainda faltam umas horas por aqui, mas como de qualquer maneira foi nada e criada em Roma, parabéns à santa.
posto pelo Alexandre às 03:32 3 comentários
a morte da arquitectura
Com a Rensacença, morreu a tradição da Antiguidade. Segundo o meu chefe, pelo menos (ele gosta de usar frases bombásticas deste género, especialmente sabendo que é um dos major players da arquitectura clássica nos EUA). O argumento é o seguinte: até ao Renascimento, o construtor era o arquitecto. Não sabia ler, mas sabia o suficiente para executar a sua profissão e em certos casos produzir obras de arte. Os edifícios eram proporcionados geometricamente, com métodos muito simples e coerentes (no clássico a secção áurea; no românico o rectângulo √2, no gótico o √3), e que correspondiam ao modo como eram construídos. Em obra, os métodos geométricos aceleravam o processo porque com meia dúzia de ferramentas simples garantia-se a beleza e unidade artística da catedral ou do templo sem precisar de medidas escritas. (já agora, existiam divisores proporcionais em Pompeia). Com o Renascimento apareceu o Homem Ilustrado, que domina todas as artes e letras. O arquitecto, que não construía, conceptualiza aquilo que vê nas ruínas em Roma e transforma-o naquilo que sabe - em números.
Isto é o que o chefe gosta de chamar, noutra das suas tiradas geniais, o analógico vs o digital. Ou seja, as proporções numéricas introduzidas pelo Palladio e amigos são uma aproximação rasca à pureza clássica e gótica (ele defende que o gótico é uma sistema ainda mais sofisticado, ainda que monótono, que o clássico). Veja-se a série de Fibonacci:
1 2 3 5 8 13 21 34 & etc
[cada número é o resultado da soma dos dois anteriores]
se dividirmos 5 por 3, igual a 1,666
se dividirmos 8 por 5, igual a 1,6
se dividirmos 13 por 8, igual a 1,625
se dividirmos 21 por 13, igual a 1,616
se dividirmos 31 por 21, igual a 1,619
Ø, a secção áurea, é quse igual a 1,618, ou seja o valor a que estes números, de uma série fixa, se aproximam. Funciona com quaisquer números iniciais - a série tende sempre para Ø.
(continua)
posto pelo Alexandre às 01:19 0 comentários
16 de março de 2006
últimas
•Sábado, depois de duas horas de discussão, fomos desopilar para uma discoteca brasileira, com umas caipirinhas miseráveis. Mas o som era bom, e deu para suar a noite toda. A secção feminina estava bem representada, e a masculina parecia toda saída da Men's Health - buffed bodies, ripped abs, ou seja com umas boas horas de ginásio em cima do lombo (eu era o único lingrinhas).
•Terça, depois do trabalho (um caos de reuniões intermináveis), passámos por aqui a chamar uma amigalhaça e depois fomos ao Lips, um bar restaurante de travestis transsexuais. Ultra-kitsh, neons, brilhantes e dourados, e noite karaoke com um jantar de turma de adolescentes imberbes, borbulhentos e virginais! E deu para rever um dos nossos amigos da viagem de Verão - mais conhecido como "give us a show, you bitch", aka pretalhão, que era o apresentador do show nessa noite. (o pior bloody mary da minha vida, grãos de pimenta do tamanho de amendoins, nem sei como é que o meu estômago se aguentou à jarda).
•Hoje, fui aprender a enriquecer com um cursito intensivo de real estate pago pelo escritório. Interessante, como já na semana passada aconteceu aqui na casa - com uma conversa com a Merril Lynch - quando se trata de carcanhol, toda a gente está atenta e faz perguntas. Para a semana há mais uma "conversa", desta vez uma mesa redonda sobre Capitalismo vs. Socialismo. nem de propósito... [estou curioso em saber a opinião de uns quantos chineses totalitários que por aqui há sobre a questão]
posto pelo Alexandre às 05:38 1 comentários
12 de março de 2006
américa
Williamsburg, comida de plástico (literalmente), a reviver os velhos tempos. Para acreditar que a mesa está posta há 200 anos.
posto pelo Alexandre às 21:44 2 comentários
10 de março de 2006
À descoberta da América
Estas fotos são do fim de semana passado, quando o escritório todo foi dois dias para a Virginia, o primeiro Estado de todos. A ideia era ver Williamsburg, capital durante mais ou menos cem anos, antes da Independência. Várias coisas tornam-na única: o facto de ser uma cidade planeada, com um esquema axial semelhante ao de Washington (ali viveu Jefferson, o presidente-arquitecto), o facto de ter sido planeada como uma comunidade fechada, reservada à elite governativa, no sec. XVIII (a plebe vivia na periferia), da grande maioria das casas ser pré-fabricada (primeiro contruía-se, depois o cliente vinha e escolhia, como num catálogo), e por último por ser, hoje, uma das poucas réstias de originalidade e beleza da arquitectura norte-americana. Graças aos Rockefellers, nos anos 20 foi objecto de um "restauro criativo" que reconstruiu mais de metade da cidade in stile e com estilo, diga-se. Tudo meticulosamente arranjado, as madeirinhas todas no sítio, as cores certas, os móveis de acordo com os inventários da época, e habitada por uma população de actores (que mora mesmo lá, nas casinhas de madeira) que durante o dia passeia de carroça, toca viola da gamba e cravo e serve nas tabernas, vestida como há duzentos anos. Um museu-vivo, uma cidade fantasma, um dos sítios mais bonitos que já vi na América. Seguem-se as fotos.
(Às vezes tive a impressão de que com as drogas certas, não é preciso muito para acreditar que se está no séc. XVIII ao passear pela única rua.)
posto pelo Alexandre às 05:54 1 comentários
9 de março de 2006
8 de março de 2006
cretinices
voltar à idade da pedra, dar graxa ao patrão, insistir em desenhar com régua e esquadro e estirador, perder horas e células nervosas a fazer e refazer as mesmas coisas trinta mil vezes porque se desenha à mão e nada bate certo, certificar-se que o parceiro do lado se apercebe disso, através de grunhidos, suspiros e aspirações de ar nevróticas, subir na carreira a puxar os outros para baixo, gostar de ser amanteigado e recompensar quem o faz, ouvir só aquilo que agrada e não o que dói e é preciso, gerir o trabalho às migalhinhas, agora faz esta linha - imprime, sobe e desce as escadas - agora põe estes armários - imprime, sobe e desce as escadas - agora este texto, etc e tal, ser picuinhas e insistir em desenhar obras de arte que só os trolhas vão ver, ter mau hálito e perder clientes, pôr toda a gente a "participar", sem hierarquia e quando se sabe que no fim quem manda é o patrão por isso é um engano e só nos faz perder tempo.
Ahhhh.... o que vale é o colo à minha espera em casa.
(soube mesmo bem)
Mas para desopilar, já se pode escrever com acentos, como deve ser. E se estou ácido, a culpa é também do melhor romance que li nos últimos tempos, e que neste momento atravessa uma fase negra, mesmo antes do fim. Mas recomenda-se, ao ponto de eu apanhar o metro que demora mais tempo só para aproveitar mais uns minutos de pure goodness antes de chegar a casa.
posto pelo Alexandre às 01:55 2 comentários
2 de março de 2006
ja chega

de postar do trabalho, sem acentos e com os coleguinhas a espreitar por detras do ombro (a minha posiçao nao permite grandes intimidades com o ecran). Por isso, a partir de segunda passo a ter net em casa, senao aqui o tasco nunca mais sai da crise - como o nosso Pai's. Ate' ja'.
posto pelo Alexandre às 15:35 2 comentários
24 de fevereiro de 2006
mais Connecticut
o Estado dos ricos, em que tudo parece vir do tempo dos colonos, incluindo as caixas de correio em lata. So' as alpacas dos andes contrastam com a paisagem natural (v. dois posts abaixo) e criam um ambiente de Terra Perdida Ideal.
posto pelo Alexandre às 00:56 2 comentários
23 de fevereiro de 2006
22 de fevereiro de 2006
21 de fevereiro de 2006
a minha casa
do outro lado do rio (a foto e' da menina Ina.) E' o terceiro a contar da direita: a torre da Riverside Church, depois o mausole'u do general Grant, depois os dois predios da casa internacional.
posto pelo Alexandre às 00:08 0 comentários
17 de fevereiro de 2006
hei!
alguem disse tudo, aqui! nem e' preciso ler mais blogs. A sintese perfeita.
posto pelo Alexandre às 16:04 0 comentários
16 de fevereiro de 2006
bem
sem saber muito bem porque, esta menina linkou-me. aqui fica o obrigado.
posto pelo Alexandre às 16:12 0 comentários
caro BGL
comentando rapidamente, antes de sair do escritorio, o teu post:
Atribuis ao Estado parte das culpas da nossa situaçao, quando dizes que permite que anualmente surjam um número exagerado de licenciados no mercado. Mas, pergunto eu, o que e' o Estado tem que meter o bedelho no numero de arquitectos? Esse e' precisamente o problema: o controlo central do ensino da arquitectura plea Ordem, e nao a sua liberalizaçao. Discordo completamente de que devia exigir o papel de coordenação global coerente da formação académica portuguesa em arquitectura com as instituições académicas e Ministério da Educação, relativamente às necessidades do mercado e empregabilidade. Mais uma vez, nao precisamos de nenhuma Ordem a controlar o ensino de acordo com as condiçoes de mercado: como se isso fosse possivel! E desejavel: coloca entraves a quem tem merito e nao precisa de se agarrar a uma especie de "clube de elite" para ter trabalho, que e' o que infelizmente se passa no nosso pai's.
posto pelo Alexandre às 00:28 0 comentários
acabou
o Semiramis. O que quer que se tenha passado, ou fosse quem fosse que escrevia, era um dos melhores e nao torna a escrever.
posto pelo Alexandre às 00:23 1 comentários
14 de fevereiro de 2006
links
mais uns quantos que me linkaram, e a quem ja' se deve um obrigado:
eli@NYC
a barriga de um arquitecto
posto pelo Alexandre às 21:25 2 comentários
13 de fevereiro de 2006
Sobre a Santa Bárbara
o espectro e' o meu novo top.
* * *
Enquanto espero pelas meias que secam na máquina, lembrei-me de escrever qualquer coisa sobre o nome aqui da folha. A Santa Bárbara foi torturada e degolada pelo pai (porquê não sei nem vou investir muito esforço na coisa), tal como contam os panos da Maria Barraca que é uma artista popular e pastora da Mizarela, Guarda. Foi aí que vivi até à Universidade (na Guarda, não na pequena aldeia da Mizarela) e cheguei a conhecer a pastora através dos meus pais e de amigos (esses sim, da Mizarela). Os panos são nada menos que uma espécie de bordados copiados muito livremente de um caderno que a pastora levava para o monte e que contava a vida da Santa. Quando era pequeno, os meus pais compraram e encaixilharam meia dúzia deles, e eu achava-os horríveis e não percebia nada do que lá estava escrito. Neste momento estão no Museu da Guarda (alguns - acho) e são absolutamente fantásticos, para quem gosta de arte popular como eu.
Mais tarde descobri que a Santa era a padroeira dos arquitectos, e mais tarde ainda, sem grande convicção (na época) entrei para a Faculdade de Arquitectura no Porto.
No meu quinto ano fui para Roma, e aí descobri o Largo dei Librai, com a igrejinha da Santa Bárbara dedicada, também, aos livreiros (ao que parece, os santos têm muitas obrigações). Nesse sítio cortejei abundantemente todas as raparigas que pude (ainda que com pouco sucesso), mais por mim do que por elas, pela ideia de que seduzir uma mulher naquele espaço mágico – uma praça formada dentro de um teatro romano, com um dos lados aberto para a confusão do Campo de’ Fiori, e o outro completamente ocupado pela fachada da igreja – era o triunfo total da beleza como modo de vida. Confesso que esta obsessão é um dos meus pecados, ainda que, espero eu, não demasiado. De qualquer maneira, a fachada, que se debruçava sobre a minúscula esplanada da gelataria (onde levava as moças a comer o iogurte gelado com fruta granizada) é a imagem do blog.
Em Outubro vim para Nova Iorque e não há nada que tenha a ver com a dita Santa que não seja a minha profissão, mas um dia hei-se ser rico e voltar a viver em Roma e na minha casa no Largo dei Librai hei-de ter os panos da Maria Barraca.
posto pelo Alexandre às 16:02 3 comentários
9 de fevereiro de 2006
tanta coisa
antes de mais, um abraço ao meu amigo Tiago Ramos, que hoje descobri que tinha um blog. Aqui esta', e tambem na lista ao lado. (meio croft).
E ja' agora, aproveito para comentar este post sobre a Ordem (o meu assunto preferido), ponto por ponto.
[ja' agora, deixem-se de colectivismos e assinem o que escrevem!!]
1. "A criação desenfreada de Licenciaturas de Arquitectura pelas universidades privadas"
Numa sociedade dinamica, a proliferaçao de oferta so traz vantagens - nomeadamente, hipoteses de escolha. Em Portugal, os cursos privados de arquitectura so' servem para dar uma licenciatura a quem nao entra para a publica, porque ninguem quer pagar para ter qualidade nem 'as privadas passa pela cabeça que oferecer um serviço de qualidade pode ser uma mais valia que se faça pagar, e bem. Infelizmente, nao conheço excepçoes.
2. "A "moda da arquitectura" que se abateu sobre o portugal (...)"
O mercado esta' saturado, e por isso mesmo, porque nao se aposta na qualidade, a logica do merceeiro vinga: pagar o menos possivel a estagiarios nao preparados e esperar que eles façam o trabalho todo. (tal como o merceeiro poe os filhos a trabalhar).
3. "A mediatização da arquitectura"
Quanto mais pessoas forem expostas 'a arquitectura, mais vao querer projectos de arquitecto...
4. "A crise no sector da construção"
Nao conheço essa crise - alias, ate' se constroi demais e muito mal.
Tenho que dizer o seguinte: sou contra a Ordem dos Arquitectos e espero que nunca consiga ter o poder que pretende. Isso seria muito mau sinal, sinal de que o corporativismo (de esquerda ou direita, nao importa) tomou o poder e impediu definitivamente a abertura da nossa sociedade. A nossa economia fechada e subsidiada, sim, esta' em crise e e' precisamente isso que faz com que nao haja trabalho, arquitectos incluidos. Arquitectos especialmente, diria, porque a nossa e' uma profissao de luxo e quando nao ha' que comer, o luxo que se lixe.
A Ordem nao tem nada que se meter no mercado nem que regular as escolas. Esse e' o caminho do proteccionismo, da burocracia e da centralizaçao de poder. Um arquitecto que tire o curso pela FAUP, por exemplo, esta' sete anos, no minimo, para poder começar a exercer a profissao - e com uma licenciatura, ao passo que toda a gente aqui em NY tem um mestrado ao fim de 5 anos. Precisamos de trabalhar para recuperar este miseravel pai's, e continuam a por-nos mais entraves, como a ridicula prova de admissao. E por isso e' que organizaçoes como o OA so' atrapalham, porque esta' na sua natureza criar uma clientela propria e alimenta'-la (com os nossos impostos e as nossas quotas) e nao facilitar a vida ao recem-licenciado nem muito menos estimular a concorrencia. Ai, santa paciencia... o que vale e' estar longe de Portugal e nao ter que aturar, por enquanto, estas pepineiras.
Ja' agora, alguem sabe se se pode faltar 'as acçoes de formaçao?
posto pelo Alexandre às 20:04 3 comentários
a febre dos posts
aproveito a hora extra que tenho que trabalhar hoje (compensar a que perdi ontem devido ao cocktail do MOMA) para entrar numa orgia de posts e assim equilibrar a falta de participaçao dos ultimos tempos. So para dizer que por aqui o dryvit, menina dos olhos dos Faupistas de sacristia, e' visto como um material de segunda.
D. - [apontando para uma foto da Fundaçao Ibere Camargo, em construçao] A., que material e' que achas que vai ser quando acabar?
A. - Hum... betao 'a vista, ou entao um material que ele usa muito, o dryvit.
D. - OH NAO! Dryvit, que desilusao!... Pensei que ele usasse estuque verdadeiro!...
Na terra onde tudo e' industrial e pre-fabricado, tudo o que e' vagamente artesanal tem mais valor. E realmente, depois de ver os cantos partidos das janelas da faculade de arquitectura, nao os censuro. Alem disso, nao se pode consertar - tem que se substituir toda a parede de cada vez que abre um buraco. Pronto, la' temos as pontes termicas outra vez.
posto pelo Alexandre às 00:56 1 comentários
e pronto
para nao me chamarem mais neoclassico americano, como esta menina, inchem aqui com esta foto da loja do Carlos Miele, desenhada pelos senhores Asymptote, que me fartei de procurar em Agosto quando estive ca' de ferias e so' anteontem descobri que ficava mesmo atra's do escritorio! Na verdade a foto faz mais render o peixe do que a realidade, porque e' dificil unir aquelas curvas todas sem algumas costuras feias... mas tem os seus momentos.
posto pelo Alexandre às 00:10 1 comentários
8 de fevereiro de 2006
ha
ja' passei mais tempo a tentar mudar esta merda que a escrever posts. (escrever da' mais nas vistas no escritorio). Mas agora, love it or hate it, ja' esta' bem.
Com a nata da nata da arquitectura espanhola, a comer tortilhas e beber vinho, e alguns herois que por la' apareceram, mas que nao consegui fotografar. Adoro openings, jantar 'a borla enquanto se admira o circo de aspirantes a estrelas sucking up os monstros sagrados.
posto pelo Alexandre às 18:28 0 comentários
7 de fevereiro de 2006
6 de fevereiro de 2006
arrumar a casa
Novas cores, e ordem nos links. Foram decretados defuntos os seguintes:
os arquichatos
o whiskissos
o certas pequenas manias
os zes de furio camillo
e o antigo blog do chines.
In memoriam
E bemvindo o novo blog do chines.
Welcome Johnathan!
posto pelo Alexandre às 22:08 1 comentários
4 de fevereiro de 2006
3 de fevereiro de 2006
to go
vai-se ao starbucks e pede-se um cafe' para 20 pessoas. Leva-se um saco cheio de pacotinhos de açucar e leite, e um balde de cartao estilo vinho de mesa de pacote, ja' com pega incluida. Funciona mesmo assim, a vida de escritorio, e metade da cidade vive disso.
posto pelo Alexandre às 15:08 0 comentários
2 de fevereiro de 2006
meatpacking meathooks
Pois, ainda ha muita carne pelo meatpacking district. A maior parte dos habitantes, na verdade, e' constituida por modelos anorexicas e jovens gays artistas que gostam de pensar (e dizer) que vivem entre os machos rudes, estes que vivem de carregar e descarregar os enormes pedaços de bicho morto. E agora, com o filme dos cowboys gays em extase publicitario, isso e' mais apetec'ivel do que nunca...
posto pelo Alexandre às 23:47 0 comentários
highline

a linha alta, usada para transportar mercadoria acima do nivel dos peoes, aqui no lower west side. Nao e' muito extensa e ainda bem, porque funciona como barreira entre a cidade e o rio. mas pode ser que depois de lhe mexerem a coisa mude. Entretanto e' uma bela ruina.
posto pelo Alexandre às 20:21 1 comentários
30 de janeiro de 2006
e' o amor
Sexta 'a tarde, no trabalho, recebo um mail da menina a pedir-me que lhe compre coisas de gaja. Saio do trabalho e passo na pharmacy, que e' uma espe'cie de supermercado-farma'cia (um conceito que faria os lobbies farmaceuticos portugas tremer como varas verdes). Atordoado pelo fim de 12 dias ininterruptos de trabalho, o meu cerebro congestionado por linhas de secçoes aureas, rodapes e cornijas proporcionais, janelas de 3 por 5, la' encontro o pacote pretendido, pego nele e dirijo-me para a fila, sem mais nada na mao - e' que nem conseguia raciocinar bem, so' queria era ir para casa.
A senhora da caixa ficou mais envergonhada que eu, quando lhe dei aquilo para a mao. Primeiro fez de conta que nao viu. Depois disparou, friamente:
-You must love her, you must really love her. That's love!
So' ai' e' que me dei conta. Ri-me, paguei e meti aquilo na mochila.
posto pelo Alexandre às 20:24 2 comentários
26 de janeiro de 2006
updates
E' pa' , este blog ja' se começa a parecer com o Socio Gerente, que so' o actualiza quando o rei faz anos.
Assim, tenho que mandar umas postas enquanto posso:
1. Naturalmente fiquei contente com o resultado das eleiçoes, e' mesmo assim, que ganhe o menos mau e neste caso entre os outro que viesse o diabo e escolhesse (se fosse eu escolhia o Louça, por ser um miseravel populista e um betinho de esquerda. Argh!). Naturalmente nao votei, por causa desta imbecilidade de nao se poder votar pela internet quando todas as nossas contas bancarias, que sao um asssunto que nos afecta muito mais directamente, estao em rede. Paciencia, ha'-de vir o tempo. (Ridiculo e o tempo de antecedencia para a inscriçao no consulado - tres meses; como vim para ca ha' dois...)
2. Ja' sei que isto nao interessa a ninguem, porque quase ninguem faz ou se interessa pela arquitectura classica em Porugal, mas os ultimos dias teem sido de orgasmos mentais multiplos pela descoberta daquilo que o meu patrao chama a maneira "analogica" de fazer arquitectura. (ele tambem ouve cassetes no walkman, que e' uma coisa bastante analogica, mas tambem anacronica).
Ou seja, ao contrario do que faziam o Palladio, o Vignola, o Chambers, Perrault, etc e tal, que dividiam a base da coluna em 60 ou 100 partes iguais, e depois davam medidas para tudo baseadas nessa divisao, pode-se construir toda um ordem geometricamente, sem usar um so numero. Incrivel (como disse, ja' percebi que isto nao vos interessa um boi, seus modernistas, mas paciencia). E tudo com secçoes aureas e quadrados.
Ai' esta' a diferença entre o analogico e o digital - quando no primeiro temos uma curva, no segundo temos uma serie de pontos que se aproximam da curva - mas por muito que se aproximem, nunca la' chegam, porque sao isso mesmo - numeros, que tem que ser descritos e logo nao podem ser em numero infinito. Assim, as ordens da Renascença eram aproximaçoes, enquanto que as que fazemos aqui sao the shit. Acabei o meu primeiro frontao, ha' bocado.
3. Mais outra do meu patrao: ele nao gosta das folhas da serie A europeia, que tem todas a mesma proporçao (dividem-se ao meio para se transformarem umas nas outras). No entanto, sao bastante analogicas - um rectangulo raiz de 2. As americanas, por seu lado, sao segundo ele baseadas na secçao aurea e logo muito melhores, porque quando divididas a meio resultam numa dupla secçao aurea, e se divididas outra vez, voltam 'a secçao aurea original, e assim por diante. Façam a prova no AutoCAd, que e' mesmo assim. (o equivalente americano ao nosso A4 tem 11" por 8.5", e na verdade esta' muito longe de corresponder 'a secçao dourada... mas o chefe assim o acha. No entanto, uma janela de guilhotina de 3' por 5' e' quase equivalente).
Entao at'e para a semana... pode ser que seja antes.
posto pelo Alexandre às 19:59 2 comentários
20 de janeiro de 2006
17 de janeiro de 2006
mmmmmm
O gajo que devia estar 'a minha esquerda e que costuma soluçar e arrotar nao veio hoje. Fizemos um picnic no escritorio, com pao verdadeiro, queijo, frango e abacates, vinho tinto e enchidos italianos. Ao mesmo tempo, chove ao meu lado direito, (dentro do dito escritorio, claro) e tudo e' mudado de sitio: pessoas, moveis e comida. Com sorte vao-me dar uma estante (a melhor coisa desde que me tiraram o estirador) e o desgraçado que nao veio e' despedido.
Adoro o meu trabalho!
posto pelo Alexandre às 20:20 1 comentários
15 de janeiro de 2006
internacionais
Depois do pior peixe que já alguma vez comi, a coreana à minha direita verifica as contas, o italiano à minha esquerda escreve notícias "científicas" para o quase tablóide jornal conservador da terra dele, o astrofísico americano ao fundo da mesa calcula uma bomba nuclear, o israelita ao fundo da sala prepara o próximo concerto de clarinete e ao longe ouve-se alguém a aquecer o trombone. Daqui a bocado vamos ao Met, e é o que vale para ver a neve. Até breve.
posto pelo Alexandre às 20:43 1 comentários
diferenças
NU-IORQUE: uma das cidades mais ricas da América
NU-ORQUE: uma das cidades mais portuguesas da América
posto pelo Alexandre às 20:35 0 comentários
11 de janeiro de 2006

enquanto se prepara a Boca de Incendio no. 3, sem tempo para nada, fica aqui um souvenir do fim de ano no Porto.
posto pelo Alexandre às 18:50 0 comentários
3 de janeiro de 2006
alguns blogs sao intimistas
mas este simplesmente poe as tripas de fora, self-loathing em estado puro. Interessante, como alguem que escreve tao bem tem uma opiniao tao ma' de si proprio. Ou sera' birra?
posto pelo Alexandre às 15:42 1 comentários
2 de janeiro de 2006
e no aviao
toda a populaçao masculina tem bigode, e' careca, ou ambos. E assim que aterramos, um cavalheiro 'a minha beira telefona 'a familia:
"TEMOS 'A ESPERA CABREM AS PORTAS"
Hospedeiras matronas, hospedeiros de farda suja, sem grande preocupaçao com a lingua ("more coffee? trago ja'"), salmao na noite de consoada, uma televisao para cada trinta cabeças, com um filme em VHS ja' visto e revisto umas vinte vezes e televisao que distorce e treme, o sistema de som que nao se regula, frio no aviao, e as incriveis casas de banho em que para lavar as maos so' ha' duas hipoteses: ou se enche o lavatorio e se mergulham as mana'pulas na mesma pia de toda a gente, ou se usa uma mao para abrir a torneira enquanto se lava a outra.
Mas nao ha' nenhuma outra companhia que faça Lisboa-NY? isto e' mesmo 'a pobre.
posto pelo Alexandre às 16:29 1 comentários
traduçao
aeroporto de Lisboa, voo da TAP:
"Atençao, embarque na porta, voo para MAN-CHES-TER"
e depois, em ingles,
"Atention, boarding at gate, flight to MAN-CHIS-TER"
posto pelo Alexandre às 16:25 1 comentários
hot coffe, cold morning
e o trabalho recomeça. E os posts tambem.
posto pelo Alexandre às 16:22 0 comentários

































